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Preparando-se para o concurso I: o começo do Projeto de Estudos

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O presente espaço tem o objetivo de compartilhar experiências que deram certo na preparação para concursos públicos, auxiliando, de alguma forma, aqueles que almejam ingressar nas carreiras públicas e levam a sério tal projeto. Não trazemos fórmulas mágicas ou receitas prontas, mas sim experiências bem sucedidas que podem ser adaptadas à realidade de cada um e contribuir com o projeto pessoal. Serão uma série de textos, escritos pelos integrantes do JusFederal, todos Juízes Federais que também acumulam aprovações em outros concursos. Desejamos sucesso na sua caminhada!

Bom, o planejamento de um projeto de estudos não é tarefa simples. Não sabemos ao certo por onde começar, quais materiais utilizar, quantas horas estudar, quanto tempo de nossas vidas investiremos nesse projeto. Muitas incertezas. A descoberta do método adequado de estudos é algo que, por vezes, pode levar mais de um ano, entre tentativas, erros e acertos, a depender de cada um. Pode-se passar muito tempo investindo energia em estratégias que percebemos, posteriormente, equivocadas. O certo é que de pouco adianta começarmos a estudar sem uma organização prévia, um projeto de estudos, permitindo ao nosso cérebro que tenha uma visão global do desafio, bem como organizada e compartimentada do conteúdo que vem sendo estudado, facilitando ao cérebro o acesso à informação. Afinal, “memória é a aquisição, conservação e evocação de informações”[IZQUIERDO, Ivan. Questões sobre memória. São Leopoldo: Editora Unisinos, 2003, p. 15].

O conteúdo de um edital é de uma extensão que dificilmente permite o estudo detalhado de cada um dos pontos. Como se não bastasse, durante a preparação, a sensação de que estamos esquecendo tudo que lemos é recorrente. E isso tem um nome: curva do esquecimento, descoberta por Hermann Ebbinghaus. Tomar consciência disso é um importante passo inicial, que nos traz tranquilidade e afasta a ideia de que “não nascemos para isso”. Claro que os percentuais não são absolutos e podem variar em cada pessoa, mas é comum que, após dois dias em que aprendemos algo pela primeira vez, caso não façamos revisão, nosso cérebro guarde cerca de 30% da informação. Após seis dias, guarda-se aproximadamente 5% da informação estudada e, após trinta dias, quase nada resta do que foi estudado. Portanto, se organizar de modo a facilitar as revisões é fundamental.

As pessoas respondem diferentemente aos diversos tipos de estímulo (como o visual ou o auditivo) e o ideal é conseguir mesclar mais de um. Mas é importante não abrir mão de ter um material seu: livros, cadernos, folhas organizadas, algo que ajude não só na análise da matéria, mas também que lhe traga a segurança de que seu estudo está evoluindo, que você saiba a que materiais recorrer.

Não dispense os livros adequados ao objetivo buscado. Para os que possuem memória visual, uma sugestão é ter tamém o seu material para escrever, rabiscar, memorizar (sejam cadernos ou materias impressos). O conteúdo é melhor absorvido quando escrevemos. Organize o material de uma forma que faça sentido para você. Uma opção é organizar em pastas (aquelas com plásticos): uma pasta por disciplina, um plástico por ponto do edital. Uma organização trabalhosa, mas que facilita muito a revisão das matérias durante os anos de preparação. Como disse, acredito ser importante não abrir mão de escrever, embora não seja necessário fazer extensos resumos. Sugiro escrever tópicos, rabiscar os livros, fazer pequenos esquemas e mapas mentais das matérias mais desafiadoras para você. Não deixar que o edital fique com pontos cegos, aquelas matérias das quais você foge sem ter nenhuma noção.

A preparação para um concurso público envolve um estudo que chamo de instrumental e que demanda alto rendimento, busca-se resultado. Portanto, não é um estudo voltado apenas para a aquisição de cultura jurídica, mas sim para resolver os problemas propostos, conseguir superar cada uma das fases do concurso público. Claro que o conhecimento agregado nos anos de faculdade, por meio de leituras e experiências práticas, tendem a formar um background próprio de cada um, uma bagagem que, em algum momento, aparecerá e contribuirá para a aprovação. Contudo, concursos públicos demandam treino e isso envolve pensar cada uma das fases do certame. Se a primeira delas é uma prova objetiva, é necessário treinar questões objetivas, tornar o raciocínio do cérebro mais rápido, procurar entender a forma como um conteúdo é cobrado. Enfim, cada fase do concurso lhe cobrará certas habilidades e isso lhe demandará estratégia.

Bom planejamento e até a próxima!

 

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Sobre Inezil Penna Marinho Junior

Inezil Penna Marinho Junior

Juiz Federal na 4ª Região. Mestre em Ciências Criminais (PUCRS). Master en Argumentación Jurídica. (Universidad de Alicante/Espanha). Especialista em Ciências Penais (PUCRS). Professor universitário desde 2007, tendo lecionado as disciplinas de Direito Penal e Direito Processual Penal. Atualmente, é professor de Processo Penal na Escola da Magistratura Federal do Paraná (ESMAFE-PR), professor de Direito Penal na Escola da Magistratura Federal de Santa Catarina (ESMAFESC) e na Escola da Magistratura Federal do Rio Grande do Sul (ESMAFE-RS), atuando também como professor de Cursos de Pós-Graduação na área jurídica. Aprovado e nomeado nos concursos para Juiz Federal (TRF4), Assistente de Procuradoria de Justiça (MPRS), Técnico do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS) e Agente Administrativo da Procuradoria-Geral do Estado do Rio Grande do Sul (PGE-RS).

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